
Em um evento repleto de significado e simbolismo, povos indígenas de todos os continentes se reuniram em Belém nesta segunda-feira, 17 de novembro, para a Marcha Global dos Povos Indígenas. O protesto, inserido na programação da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), começou às 8h30 na Aldeia COP, montada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) na Universidade Federal do Pará (UFPA), e terminou às 11h30 no Bosque Rodrigues Alves.
Durante a concentração, atos e cantos ancestrais resgataram séculos de história. A quantidade exata de participantes não foi divulgada, mas a percepção geral era de milhares de manifestantes presentes. Os cinco principais eixos de reivindicação eram: o reconhecimento territorial como política climática, desmatamento zero, proteção dos defensores, acesso direto ao financiamento climático e participação com poder real.
Muitos indígenas relataram que esta é a maior COP em número de representantes indígenas, ressaltando a importância da mobilização. Kleber Karipuna, coordenador executivo da APIB, comentou sobre a pressão das forças contrárias presentes no evento, como grupos lobistas do petróleo e do agronegócio, que tentam influenciar decisões.
"O que a gente quer é o avanço das demarcações e homologações das terras indígenas", afirmou Karipuna.
A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, reforçou isso, garantindo que o governo anunciará novas demarcações de territórios indígenas em breve. Ela destacou que o presidente Lula fará gestos concretos durante a conferência para avançar na questão.
Indígenas de várias partes do mundo também fizeram suas vozes serem ouvidas. Calvin Wisan, representando o povo Minahasa da Indonésia, destacou os desafios enfrentados em sua região, onde práticas coloniais ainda existem, além da interferência religiosa em seus costumes.
"Meu povo agora está tentando lutar não apenas contra mineração ou indústrias extrativistas, mas também contra o vandalismo", disse Wisan.
Joan Carling, diretora executiva da Indigenous Peoples Rights International, discursou contra as invasões de terras e a necessidade urgente de justiça climática para os povos indígenas. Para Carling, os direitos indígenas não são negociáveis e pediu justiça para crimes ambientais.
Os próximos passos envolverão a continuidade das negociações durante a COP30, com a expectativa de que as promessas e compromissos sejam de fato implementados para garantir a preservação dos direitos e territórios indígenas, fortalecendo a proteção climática global.