Protestos contra acordo de R$ 1,2 bilhão entre Braskem e Alagoas

Vítimas do desastre geológico em Maceió criticam exclusão do processo e baixo valor de indenização.

12/11/2025 às 17:59
Por: Redação
O Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (Muvb) expressou forte descontentamento em relação ao acordo firmado entre a Braskem e o governo de Alagoas, que estabelece uma indenização de 1,2 bilhão de reais. Este montante está associado ao desastre geológico que resultou no afundamento de cinco bairros em Maceió, a capital alagoana. O acordo, criticado pelas vítimas, foi concluído sem a participação dos diretamente afetados, como ex-moradores e comerciantes das áreas impactadas. Eles consideram que o valor é insuficiente, especialmente em comparação a uma estimativa anterior que mensurava o dano em 30 bilhões de reais, conforme indicado pela Secretaria de Fazenda de Alagoas. O Muvb destacou nas redes sociais que o termo entre a petroquímica e o governo ilustra um processo de negociação que excluiu as vítimas, transformando um desastre humano e ambiental em mera transação financeira. A organização reivindica que as negociações incluam uma revisão pública e transparente. "Como um dano de tal magnitude se reduz, de repente, a essa cifra?", questionou o movimento. O grupo de vítimas exige um enfoque que respeite os direitos coletivos, argumentando que o atual acordo renuncia a esses direitos ao não envolver as vozes dos atingidos no processo decisório. O acordo determina que os 1,2 bilhões de reais serão pagos ao longo de dez anos, com 139 milhões já desembolsados inicialmente. A Braskem afirma que este entendimento representa um passo significativo para lidar com os impactos do evento geológico em Alagoas. O governo de Alagoas, por sua vez, não se pronunciou sobre as críticas relacionadas à participação das vítimas no processo. Adicionalmente, foi anunciado um pacote de 5 bilhões de reais em investimentos para a região, dos quais 2,8 bilhões provêm da indenização acordada com a Braskem. O desastre em Maceió foi desencadeado pela exploração de sal-gema, utilizada na produção de soda cáustica, que comprometeu a estabilidade do solo nos bairros Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e Farol. A cidade continua a enfrentar as consequências, incluindo o deslocamento de milhares de pessoas e a declaração de emergências por parte das autoridades. A Polícia Federal investigou o caso e, em 2024, indiciou 20 pessoas em relação aos crimes associados ao afundamento. No âmbito judicial, a Defensoria Pública de Alagoas reivindicou 4 bilhões de reais para compensar a desvalorização de imóveis na área. Outros esforços de reparação continuam, com a Braskem tendo pago 4,23 bilhões de reais em indenizações desde 2019, conforme relatado por sua plataforma de transparência disponível online.

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