Racismo é apontado como fator das desigualdades no Distrito Federal

Pesquisa jovem revela impactos do racismo estrutural em regiões vulneráveis de Brasília

20/11/2025 às 12:48
Por: Redação

Os versos de rap de jovens dos bairros periféricos do Distrito Federal destacam a percepção de que o racismo é um fator crucial nas desigualdades locais. Esses artistas, como Pajé, Camila MC e Nerd do Gueto, participaram do Mapa das Desigualdades, estudo que será divulgado no Dia dos Direitos Humanos, 10 de dezembro.

 

A iniciativa foi conduzida por 30 jovens ativistas, coordenados pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc). Utilizando dados e expressão artística, eles demonstraram como a discriminação racial é um componente chave nas disparidades de Brasília. Essa pesquisa busca chamar a atenção para o acesso desigual a políticas públicas, tendo como base a última Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios.

 

Impacto na juventude

Markão Aborígine, educador social do Inesc, afirmou que o foco está nos jovens, quem mais sofrem os efeitos da desigualdade. Ele destacou que o Mapa das Desigualdades foi totalmente desenvolvido por esses jovens desde fevereiro.


“Esses jovens traduzem a falta de acesso a serviços e áreas verdes em música, indo além de meros dados.”


No Plano Piloto, 98% dos moradores têm acesso a áreas verdes, contrastando com apenas 34% no Itapoã, área majoritariamente negra. Essa disparidade reflete a falta de políticas públicas nas regiões negras, afetando saúde, educação e infraestrutura.

 

Desafios no transporte público

Victor Queiroz, designer e um dos pesquisadores, relata problemas no transporte do Paranoá, onde ele mora. Esperar 40 minutos por um ônibus, que sai do Itapoã lotado, é frequente. Essa dificuldade em acessar serviços é desmotivadora e uma afronta à dignidade, segundo ele.


“Brasília é a terceira maior cidade do Brasil, mas carece de um transporte público eficiente.”


Victor contribuiu para a diagramação do Mapa que será apresentado em dezembro, focando na reformulação de dados para chamar a atenção para essas falhas estruturais.

 

Resposta governamental e investimentos

O governo do Distrito Federal reconhece as desigualdades históricas, mas ressalta esforços para melhorar a situação. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Social, os recursos para proteção social aumentaram de 347 milhões de reais em 2020 para 935 milhões em 2023. Essas ações são parte de um plano distrital para diminuir desigualdades raciais e promover cidadania.


A secretaria destaca que todas as ações são regularmente acompanhadas para garantir a participação cidadã.


Mesmo com esses esforços, muitos jovens ainda veem uma lacuna significativa entre as promessas do governo e a realidade vivida nas comunidades periféricas. A pesquisa visa continuar impulsionando políticas inclusivas e visibilizando as vozes que enfrentam tais desafios diariamente.

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