Randolfe critica rótulo de 'terroristas' para facções

Senador argumenta que medida pode abrir espaço para interferências externas.

06/11/2025 às 21:07
Por: Redação
Classificar facções criminosas ou milícias no Brasil como terroristas não é visto como uma solução eficaz para enfrentar o crime organizado, declarou o senador Randolfe Rodrigues, líder do governo no Congresso Nacional. Ele argumenta que essa classificação pode dar margem a interferências estrangeiras, um cenário que o governo deseja evitar. Randolfe reforçou que, embora o governo não veja problema em rotular grupos criminosos, é crucial que a soberania do país não seja comprometida. Segundo ele, é fundamental que o problema do crime organizado seja resolvido internamente, sem dar espaço para intervenções externas. Durante entrevista à Agência Brasil, o senador destacou os debates em torno dos projetos de lei que visam combater as organizações criminosas, questões que geram conflito entre governo e oposição. Para Randolfe, a discussão deve focar na eficácia das políticas e não no rótulo atribuído. Ele enfatizou que aumentar as penas para membros de facções, cortar seu fluxo financeiro e coordenar forças policiais são estratégias mais eficazes do que mero rotulamento. Atualmente, a Câmara dos Deputados está dividida entre o PL das facções, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o PL do Terrorismo, que equipara facções e milícias ao terrorismo. O presidente da Câmara, Hugo Motta, planeja uma decisão sobre o tema na próxima semana. A votação do PL do Terrorismo, adiada na Comissão de Constituição e Justiça, deve ser conduzida pelo presidente da CCJ, deputado Paulo Azi, indicando possíveis ajustes integrados entre os projetos concorrentes. Especialistas alertam que classificar facções como terroristas pode atrair a estratégia intervencionista dos Estados Unidos na região. Randolfe critica a politização do tema, afirmando que o combate ao crime deve ser uma questão de Estado, unindo todas as frentes políticas. O deputado Danilo Fortes, autor do projeto que equipara facções a atos terroristas, defende que a medida permitirá à polícia atuar sem receio da Corregedoria, capacitando ações preventivas. Ele nega que o projeto facilite intervenções estrangeiras, afirmando que a soberania nacional não está em risco e que decisões sobre definições de terrorismo cabem ao Poder Executivo.

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