Segundo relatório divulgado pela Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), em novembro de 2025, cerca de 117,2 milhões de pessoas foram forçadas a deslocar-se devido a conflitos, violência e perseguição. Destas, 86 milhões, representando 75%, estão gravemente ameaçadas por riscos climáticos elevados. Os dados foram revelados no documento intitulado "No Escape II: The Way Forward". Nos últimos dez anos, eventos climáticos, como tempestades e inundações, causaram aproximadamente 250 milhões de deslocamentos internos, uma média de 70 mil diariamente. **Ameaças Climáticas Crescentes** O relatório destaca a interseção entre adversidades climáticas e outras ameaças, como guerras e perseguição. Além disso, a elevação do nível do mar e processos de desertificação estão intensificando os desafios enfrentados pelas populações deslocadas ao redor do mundo. "As medidas de fortalecimento da resiliência são necessárias não apenas para os deslocados, mas também para as comunidades receptoras," alertam os autores do estudo. As previsões para o futuro são preocupantes. Especialistas da ONU projetam que, até 2040, o número de países enfrentando riscos climáticos extremos deverá aumentar de 3 para 65. **Impactos Globais e Locais** Entre os países mencionados estão Camarões, Chade, Sudão do Sul, Nigéria, Brasil, Índia e Iraque. Juntos, estes 65 países abrigam mais de 45% das pessoas deslocadas por conflitos, enquanto metade deles enfrenta problemas de fragilidade ou conflito. "Provavelmente, muitos campos de refugiados enfrentarão cerca de 200 dias de calor extremo e perigoso por ano nos próximos 25 anos," antecipa a Acnur. O documento também alerta que, devido à combinação letal de calor extremo e umidade, muitos desses locais se tornarão inabitáveis, intensificando os desafios sobre as populações que já enfrentam condições de extrema vulnerabilidade.