O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), condenou nove réus do núcleo 3 de uma trama golpista liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre os acusados estão militares conhecidos como "kids-pretos", do Exército. No entanto, Moraes absolveu o general Estavam Teóphilo, o oficial de mais alta patente entre eles. Para os réus coronel Márcio Nunes de Resende Júnior e o tenente-coronel Ronald Ferreira de Araújo Júnior, o ministro sugeriu penas mais leves, acusando-os de incitação à animosidade nas Forças Armadas e associação criminosa. Outros, incluindo seis militares e um policial federal, enfrentam acusações de organização criminosa armada e dano qualificado. "Está comprovado que houve esse planejamento e houve o ato executório. Só não se consumou [o plano de assassinato] por circunstâncias alheias à vontade [do grupo]", afirmou Moraes. O julgamento ocorreu em uma sessão extraordinária, com Moraes liderando as deliberações. As acusações da Procuradoria-Geral da República (PGR) versam sobre "ações táticas" para um golpe, incluindo a disseminação de fake news e tentativas de cooptação de comandos militares. Além de provas de localização dos réus por antenas de celular, foram reveladas conversas evidenciando a interação dos envolvidos no ato golpista, abortado por uma mudança de planos de Bolsonaro. Documentos apreendidos destacaram estratégias como restrição ao STF e censura à imprensa. Para Araújo Júnior e Resende Júnior, Moraes aplicou o princípio do *in dubio pro reo*, decidindo pela absolvição devido à falta de provas suficientes. O mesmo foi decidido para o general Teóphilo. As defesas negaram as acusações, reclamando de investigações insuficientes. Outros núcleos golpistas aguardam julgamento, com o objetivo do STF de assegurar a estabilidade democrática no país.