Tornados: Fenômenos Poderosos e Imprevisíveis Deixam Rastro de Destruição no Sul do Brasil

Evento no Paraná, classificado como F3, evidencia a dificuldade de alerta precoce para tempestades intensas que atingem áreas povoadas.

08/11/2025 às 19:17
Por: Redação
Tornados: Fenômenos Poderosos e Imprevisíveis Deixam Rastro de Destruição no Sul do BrasilEvento no Paraná, classificado como F3, evidencia a dificuldade de alerta precoce para tempestades intensas que atingem áreas povoadas.

Tornados, como o que devastou a cidade de Rio Bonito do Iguaçu, no estado do Paraná, são eventos meteorológicos localizados, de duração breve e extremamente desafiadores de se prever. Conforme explica Danilo Siden, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), esses fenômenos se formam no interior de nuvens de tempestade e provocam severos danos ao tocar o solo.

A formação do ciclone extratropical no Rio Grande do Sul foi um fator determinante. Siden detalhou que este ciclone impulsionou a criação de uma frente fria na porção mais setentrional do sistema, especificamente no Paraná. Dentro dessa frente fria, diversos fenômenos meteorológicos ocorrem, incluindo chuvas torrenciais, tempestades com raios, queda de granizo e, potencialmente, a formação de um tornado por uma dessas nuvens.

O especialista ressaltou que, embora os tornados sejam eventos de grande intensidade, sua curta duração e natureza altamente localizada tornam a previsão um desafio significativo. Ele adicionou que, mesmo sabendo da possibilidade de sua ocorrência dentro de uma frente fria, não é possível realizar uma previsão precisa.

Impacto em Rio Bonito do Iguaçu e Classificação

No caso específico de Rio Bonito do Iguaçu, a nuvem que deu origem ao tornado foi identificada como uma “supercélula” pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná. Com ventos que superaram os 250 quilômetros por hora, o tornado foi classificado como F3 na escala Fujita, que varia de 0 a 5. Essa classificação indica que o evento causou danos severos à região.

O meteorologista explicou que algumas condições específicas favorecem a formação desses fenômenos. Entre elas, destacam-se a presença de ar mais quente próximo à superfície terrestre e variações rápidas na direção ou velocidade do vento. Contudo, mesmo em locais equipados com sistemas de alerta avançados, a antecedência máxima para a previsão de um tornado é de aproximadamente 15 minutos.

A Ocorrência de Tornados no Território Brasileiro

Contrariando a percepção popular de que são raros no Brasil, os tornados são, na verdade, fenômenos mais frequentes do que se imagina. Celina Rodrigues, engenheira ambiental e pesquisadora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e do Instituto Serrapilheira, esclareceu que a Região Sul do país é uma das áreas de maior incidência na América do Sul, juntamente com Argentina e Paraguai.

Rodrigues afirmou que a frequência desses fenômenos é relativamente alta, mas suas consequências se tornam mais perceptíveis e graves quando atingem áreas densamente povoadas. Ela também mencionou que a ocorrência de tornados é mais comum durante o período de transição entre a primavera e o verão.

Diferenciando Tornados de Ciclones Extratropicais

A engenheira ambiental fez uma distinção importante: embora o tornado em Rio Bonito do Iguaçu tenha ocorrido após a formação de um ciclone extratropical, os dois fenômenos não são idênticos e nem sempre se manifestam em conjunto. Rodrigues detalhou as diferenças: tornados são eventos de pequena extensão, variando de dezenas a centenas de metros e podendo abranger poucos quilômetros, com uma duração que vai de segundos a minutos.

Em contraste, os ciclones atmosféricos são fenômenos de grande escala, capazes de afetar vastas áreas, que podem se estender por centenas a milhares de quilômetros, e sua duração tipicamente abrange alguns dias. O ciclone que ainda atua na costa das regiões Sul e Sudeste do Brasil é categorizado como extratropical devido à sua formação por massas de ar quente e fria. Além de gerar ventos intensos, esse sistema meteorológico foi responsável pelo deslocamento de uma frente fria, resultando em chuvas fortes em diversas localidades dessas duas regiões.

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