TV Brasil revisita Mariana uma década após o desastre ambiental

Programa retoma histórias dos sobreviventes e questiona a segurança das barragens no Brasil.

03/11/2025 às 18:41
Por: Redação
Nesta segunda-feira (3), às 23h, a TV Brasil transmitirá um novo episódio do premiado programa Caminhos da Reportagem. O episódio, intitulado "A Tragédia de Mariana: dez anos depois", revisita o local do desastre ocorrido em 2015, quando a barragem de Fundão, administrada pela Samarco em Mariana (MG), rompeu-se. O evento resultou em um dos piores desastres socioambientais do Brasil, tirando a vida de 19 pessoas e resultando no aborto de um bebê. Além das perdas humanas, mais de 600 moradores de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo ficaram desabrigados. Guilherme de Sá Meneghin, promotor de Justiça do Ministério Público de Minas Gerais, destaca que o impacto da tragédia se estendeu para além de Mariana, afetando 3 milhões de pessoas em Minas Gerais e no Espírito Santo. Meneghin define o rompimento como mais que um crime ambiental, trata-se de uma severa violação dos direitos humanos perpetuada ao longo do tempo. A atração também apresenta Mônica Santos, uma líder comunitária de Bento Rodrigues, que relembra o fatídico dia 5 de novembro ao voltar ao local que havia sido seu lar. "A visão que eu tinha foi essa aqui", afirma Mônica, comentando sobre a destruição completa do que um dia foi sua casa e a icônica igreja de São Bento. Ela destaca a sensação de impotência frente à Samarco, que, segundo ela, dita as regras sobre indemnizações para as vítimas. A Samarco, que retomou suas operações em dezembro de 2020, cinco anos após a tragédia, agora adota o modelo a seco para 80% de seu descarte de resíduos de minério. Eduardo Moreira, gerente-geral de Projetos da Samarco, admite que a empresa precisava operar com uma abordagem diferente, respondendo às profundas mudanças causadas pelo rompimento. No Brasil, mais de 900 barragens estão atualmente registradas, sendo que 74 apresentam alto risco de colapso, afirmam os dados do Sistema Integrado de Gestão de Barragens de Mineração. O estado de Minas Gerais concentra 31 das 91 barragens com alertas ou emergências declaradas. Moradores de Engenheiro Correia e São Gonçalo do Bação, em Itabirito, expressam insegurança diante da proximidade com as barragens. Um muro de contenção foi construído pela Vale em junho de 2021, sob determinação do Ministério Público de Minas Gerais, para possíveis rompimentos na mina de Fábrica. Thiago Damaceno, um auxiliar administrativo, diz sentir que o muro oferece uma falsa sensação de segurança. O geógrafo Ícaro Brito reforça que o perigo não é natural, mas colocado sobre a região. Em meio a isso, Gilvander Luís Moreira da Comissão Pastoral da Terra denuncia o "terrorismo de barragem", indicando uma tática para expandir áreas mineráveis, atropelando direitos de comunidades tradicionais. O jornalista e cientista ambiental Maurício Ângelo defende uma revisão profunda no modelo de mineração adotado em Minas Gerais e no Brasil, para evitar tragédias semelhantes no futuro.

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