Aconteceu nesta quarta-feira, 12 de novembro de 2025, uma grande manifestação em Belém, organizada por diversos povos indígenas e movimentos sociais em meio à COP30. Com o lema "a resposta somos nós", esses grupos se uniram para exigir justiça climática e social durante o evento, navegando em uma barqueata pela Baía do Guajará. O evento, que faz parte da Cúpula dos Povos, promovida na Universidade Federal do Pará (UFPA), ocorrerá até 16 de novembro. Além disso, a unidade marcou o encerramento da Caravana da Resposta, iniciada em 8 de novembro em Sinop, Mato Grosso. **Impactos do Agronegócio** Durante a travessia pelo "corredor da soja", os participantes denunciaram os efeitos do agronegócio e das grandes obras nos territórios tradicionais. As críticas focaram em projetos como a Ferrogrão e hidrovias do Arco Norte. "Os povos indígenas estão lutando desde o início. Temos que ser respeitados, valorizados, conforme a nossa cultura. Então, a resposta somos nós", afirmou Bepmoroi Metuktire, líder indígena. Os participantes reforçaram a necessidade de escuta e respeito, destacando a importância da soberania e da proteção dos territórios indígenas frente às ameaças do agronegócio. **Vozes tradicionais e Quilombolas** Kilombolas e comunidades periféricas também participaram, ressaltando os impactos econômicos e ambientais que enfrentam. Kahamy Ãdetta, representante quilombola, destacou a resistência contra projetos que ameaçam seus territórios e enfatizou a necessidade de consultas prévias, livres e informadas. Os efeitos das mudanças climáticas e da expansão da monocultura afetam diretamente as comunidades quilombolas, prejudicando seu modo de vida e cultura. Kahamy sublinhou como a monocultura prejudica suas comunidades no Rio Grande do Sul, destacando a contaminação do ar e a morte dos animais durante períodos de uso intensivo de agrotóxicos. **Pescadores e Resistência** Movimentos de pescadores destacaram as dificuldades enfrentadas devido à crise climática e invasão de territórios por madeireiros. Rosângela Vieira, líder do movimento, relatou as consequências devastadoras dessas ações na pesca local. "A escassez de peixes como o acari, devido à seca e desmatamento, força nossa adaptação para outras atividades", explicou Rosângela. Ela também destacou o impacto na saúde das comunidades e a importância de lutar por rios limpos e uma alimentação saudável. **Agentes de Mudança** Representantes do Coletivo Muvuca, de Santarém, defenderam práticas agrícolas ancestrais e sustentáveis. Ana Karina Barbosa denunciou a expansão da soja, que devasta comunidades locais e prejudica a saúde dos residentes. Anne Moraes, socióloga líder de alianças feministas, vê a COP30 como um momento crucial para integrar questões feministas e climáticas, enquanto busca soluções práticas e justas.