A implementação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Rio de Janeiro foi identificada como um fator de expansão da facção criminosa Comando Vermelho (CV) para outros estados, afirmou a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Pedro de Souza Mesquita, coordenador Geral de Análise de Conjuntura Nacional da Abin, apresentou essa conclusão à Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência na última quinta-feira, dia 6. Segundo ele, as UPPs levaram à fuga de líderes do CV do Rio, gerando a ampliação da facção pelo Brasil. Mesquita destacou que, com a saída dos líderes do CV do Rio de Janeiro, eles buscaram novas bases no norte do país para continuar suas atividades e eventualmente retornar ao estado de origem. Esse movimento iniciou-se em 2013, atingindo um ápice no ano anterior. #### Território Expandido O coordenador informou que em 2013 o CV já operava em Tocantins, Pará, Rondônia e Santa Catarina além do Rio. Nos anos subsequentes, a facção estabeleceu presença significativa nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, além de áreas adicionais pelo país. A expansão do CV foi facilitada pelo alinhamento com grupos locais que resistiam à ofensiva do Primeiro Comando da Capital (PCC), oriundo de São Paulo. O CV ofereceu suporte logístico em armamentos e drogas em um sistema descentralizado, segundo Mesquita. #### Avanço do PCC Durante a audiência, foi destacado que o PCC, em contrapartida ao CV, ampliou sua atuação para fora do país. Desde 2016, o grupo iniciou sua expansão internacional, e em 2018 recrutou membros hispanofalantes para expandir sua presença, que naquele ano estava em 11 países. Atualmente, conforme apresentado por Mesquita, o PCC possui mais de 2 mil integrantes em 28 países, processo que se desenrola nos últimos 15 anos. #### Resposta do Governo do Rio Em resposta, o governo do Rio de Janeiro afirmou que a expansão nacional do CV não pode ser atribuída unicamente às UPPs. A Secretaria Estadual de Segurança Pública reconheceu que, na época, o foco na ocupação territorial sem políticas públicas de apoio comprometeu a sustentabilidade do projeto. A secretaria destacou que muitos criminosos migraram para outras regiões devido à pressão exercida pelo projeto das UPPs, resultando em parte na expansão do CV, mas frisou que outros fatores também contribuíram. O governo reafirmou a importância da cooperação entre esferas federal, estadual e municipal no combate ao narcotráfico.