Vice-presidente da Colômbia critica a ONU por racismo no debate ambiental

Francia Márquez destaca exclusão de populações negras e indígenas nas decisões climáticas.

13/11/2025 às 22:09
Por: Redação
A vice-presidente da Colômbia, Francia Márquez, acusou a ONU de não reconhecer a importância política e cultural das populações negras e indígenas. A declaração foi feita durante seu discurso na COP30, realizada em Belém. Segundo Márquez, esse comportamento compromete decisões importantes sobre o clima. Durante um encontro promovido pela presidência da COP30, Márquez discutiu questões relacionadas ao racismo ambiental. Este conceito considera como as mudanças climáticas impactam de maneira desigual grupos historicamente marginalizados, como afrodescendentes e povos indígenas. ### Apoio e Criticas às Políticas da ONU Francia Márquez lembrou do esforço conjunto com o Brasil, na COP16, para que fosse reconhecida a contribuição dos povos afrodescendentes. Ela criticou a ausência de uma linguagem oficial que reconheça essa contribuição. "Quando falamos de racismo ambiental, tenho que começar reconhecendo que as Nações Unidas são racistas", afirmou Márquez. A vice-presidente ressaltou que o colonialismo e a escravidão perpetuaram estruturas econômicas insustentáveis que esgotam recursos e diminuem a condição humana de certos povos. Márquez destacou a conexão intrínseca entre elementos naturais e as desigualdades enfrentadas por essas comunidades. ### União Contra o Racismo Ambiental A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, reforçou as críticas de Márquez citando experiências pessoais no Complexo da Maré, Rio de Janeiro. Ela destacou como populações pobres enfrentam mais desafios climáticos dia a dia. "Se na Baixada Fluminense o calor é 4 graus maior que na Zona Sul do Rio por falta de arborização, isso também é racismo ambiental", apontou Anielle Franco. A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, destacou os esforços do governo para promover justiça climática e dar protagonismo aos povos tradicionais na COP30. Ela enfatizou a importância de incluir a maior participação indígena na história das COPs. ### Compromisso com a Participação Social Sonia Guajajara afirmou que as discussões na COP30 têm acentuado os impactos de tragédias ambientais nas populações vulneráveis, um reflexo direto do racismo ambiental. O Brasil lançou documentos visando uma agenda de ação dedicada a mitigar esses problemas. "A cada tragédia, percebemos o quão brutalmente o racismo ambiental afeta as populações mais vulneráveis", destacou Guajajara. Guajajara reafirmou o compromisso do governo em assegurar uma participação social ampla, focando em propostas que possam enfrentar essas desigualdades e promover uma política climática justa.

© Copyright 2025 - Três Lagoas News - Todos os direitos reservados