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Qual o momento ideal para levar as crianças ao oftalmologista? Conheça 5 dicas importantes sobre o assunto

A Dra. Juliana Rosa, médica oftalmologista e consultora da HOYA Brasil comenta sobre a importância de levar as crianças periodicamente ao oftalmologista para avaliar se a visão da criança está se desenvolvendo normalmente.

10/09/2023 às 08h00
Por: Fonte: Comunicação
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,4 milhão de crianças no mundo apresentam problemas de visão em algum grau. Por isso, é tão importante a atenção aos cuidados com a saúde ocular dos pequenos. Uma visão infantil de qualidade é fundamental para o desenvolvimento físico, cognitivo e social da criança.

É fundamental investir nos cuidados com a saúde ocular das crianças. Visitar regularmente um médico oftalmologista para a realização de exames preventivos, adotar alguns hábitos diários, além de proteger os olhos da exposição à luz solar são algumas das recomendações. Os pais também devem manter a atenção aos comportamentos e reclamações dos pequenos", afirma Dra Juliana Rosa, médica oftalmologista e consultora da HOYA Brasil. Confira a seguir, 5 dicas importantes sobre o momento ideal para levar as crianças ao oftalmologista.

1. A importância de visitas regulares ao oftalmologista: de acordo com a Sociedade Brasileira de Oftalmopediatria (SBOP) em sua última recomendação (2021): "se factível, um exame oftalmológico completo pode ser feito pelo oftalmologista entre 6 a 12 meses de vida. Além disso, pelo menos um exame oftalmológico completo deve ser realizado entre 3 e 5 anos de idade, preferencialmente aos 3 anos".
O que se quer dizer com essa recomendação é que sempre que possível, já devemos realizar o exame da criança até os 12 meses, mas quando não for possível, obrigatoriamente, o exame de 3 a 5 anos tem que ser feito.
Essas recomendações possuem o objetivo de evitar que haja alguma falha no desenvolvimento neurológico da visão, já que ocorre nos primeiros anos de vida. "O diagnóstico precoce de graus muito altos, desvios oculares, diferenças de grau entre os olhos e outras questões possibilita o tratamento em tempo hábil para evitar que o olho não se desenvolva da melhor forma", destaca a especialista.

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2. Cuidados com a saúde ocular dos bebês: as doenças infecciosas contraídas ainda na gestação são as principais causas de alterações oculares no nascimento. É preciso ter atenção ao pré-natal, com acompanhamento contínuo de um especialista para identificar qualquer problema com o bebê. Além disso, é importante tomar alguns cuidados durante o período de gestação, como lavar bem verduras e legumes, evitando a ingestão de alimentos crus, no caso da toxoplasmose; higiene das mãos, para se preservar contra herpes, por exemplo, entre outras medidas.
Em relação ao diagnóstico, o teste do reflexo vermelho (ou teste do olhinho) é realizado ao nascer, até 72 horas de vida e repetido pelo pediatra durante as consultas pelo menos três vezes ao ano durante os primeiros 3 anos de vida. A falha de visualização ou anormalidades do reflexo são indicações para um encaminhamento urgente para um oftalmologista. Esse teste pode detectar o retinoblastoma (um tumor ocular grave), catarata congênita, glaucoma congênito, dentre outras alterações. É importante dizer que esse teste é fundamental mas não detecta outras alterações oculares que só são diagnosticadas na consulta de rotina com o oftalmologista.

3. Fique atento aos sinais e sintomas nos olhos das crianças: a criança nem sempre consegue expressar o que sente, além de muitas vezes não ter a percepção do que é uma visão boa ou ruim. Por isso, a melhor maneira de identificar problemas oculares nas crianças é por meio de consulta de rotina com o oftalmologista.
É importante que essa consulta seja realizada periodicamente para avaliar se a visão da criança está se desenvolvendo normalmente. Os responsáveis devem ficar atentos a sinais e sintomas que possam estar relacionados a algum problema visual como: coçar os olhos, apertar os olhos, piscar muito, dores de cabeça, problemas de aprendizagem, episódios de agitação ou aparente desatenção, dificuldades na locomoção ou quedas frequentes.
Muitos responsáveis acabam não levando a criança pequena ao oftalmologista pois acham que o médico não conseguiria realizar o exame por causa da idade, mas isso não é verdade. É possível realizar um exame muito completo, com inspeção dos olhos e anexos, avaliação da função visual apropriada para a idade, avaliação da motilidade e alinhamento ocular, refração sob cicloplegia e avaliação do fundo de olho dilatado.

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4. O diagnóstico precoce é muito importante: em casos de doenças mais graves como tumores, por exemplo, o diagnóstico precoce pode salvar a vida da criança, mas felizmente esses casos graves são raros. "Nosso maior medo em relação aos casos mais comuns do dia a dia é que a criança chegue tarde ao consultório, após a fase em que ainda é possível estimular o desenvolvimento neurológico da visão", completa Dra. Juliana.
Podemos dar um exemplo de uma criança que tenha um grau muito maior num olho do que no outro. Essa criança pode não se queixar de nada, mas seu cérebro está desenvolvendo mais a visão do olho que já enxerga melhor (de menor grau). O olho de pior visão (maior grau) pode não se desenvolver da mesma forma, o que chamamos de ambliopia (popularmente conhecido como "olho preguiçoso").
Quando a criança chega no consultório ainda pequena, podemos fazer a correção do grau com óculos, em alguns casos usar tampão ocular, e com esses tratamentos estimular o desenvolvimento da visão igualmente nos dois olhos. Quando a criança chega tarde, muitas vezes não é possível e ela se transforma em um adulto com visão baixa em um dos olhos.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, em todo o mundo cerca de um bilhão de pessoas apresentam algum problema ocular que poderia ser evitado ou tratado.

5. Preste atenção no impacto das telas na saúde ocular: as telas apresentam um impacto direto na visão das crianças e adolescentes e, com isso, há uma preocupação crescente com possíveis danos no desenvolvimento visual. Os casos de miopia tem crescido em todo o mundo e o uso excessivo da visão de perto (não só nas telas) é um dos vilões. O uso por muitas horas estimula o crescimento do olho aumentando a miopia. Essa é uma questão que os oftalmologistas têm estudado muito e na consulta orientamos as famílias em relação às mudanças de comportamento e aos tratamentos disponíveis, pois a miopia (especialmente quando mais alta) pode levar a alterações da retina e baixa visão. Hoje temos bons tratamentos para controlar esse aumento da miopia, mas evitar esse uso excessivo da visão de perto é também fundamental.
Além disso, as crianças apresentam cada vez mais sintomas como olho seco e cansaço visual devido ao excesso de tempo de tela. Isso ocorre porque durante a exposição da tela, piscamos menos do que o necessário, diminuindo a lubrificação. É fundamental fazer pausas periódicas para descansar a visão e melhorar a lubrificação. A cada 20 minutos usando a visão de perto deve-se desviar o olhar para algo a aproximadamente seis metros de distância (20 pés) e fixar a visão por 20 segundos (chamamos isso de 20/20/20).

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