O Banco do Brasil (BB) relatou um lucro líquido ajustado de 3,785 bilhões de reais no terceiro trimestre, uma queda de 60,2% em comparação ao mesmo período de 2024. Este resultado foi fortemente impactado por novas regras contábeis e pelo aumento da inadimplência, conforme divulgado no balanço divulgado na última quarta-feira (12). Ao longo dos nove primeiros meses de 2025, o Banco do Brasil acumulou um lucro de 14,943 bilhões de reais, marcando uma diminuição de 47,2% em relação aos resultados vistos no ano anterior. Para efeito de comparação, em 2024, o banco havia atingido um lucro recorde de 37,9 bilhões de reais. ## Desempenhos e estratégias financeiras Mesmo em meio ao cenário desafiador, o banco destacou o crescimento de suas receitas, alimentadas principalmente pelas operações de crédito. A introdução do Programa Crédito do Trabalhador, específico para o crédito consignado de funcionários de empresas privadas, foi um fator significativo nesse desempenho positivo. “O crescimento da margem financeira bruta foi impulsionado essencialmente por negócios com clientes, incluindo destacadas receitas de créditos”, informou o BB. Com o início de 2025, entraram em vigor novas normas do Conselho Monetário Nacional, que influenciaram a contabilidade dos bancos. Essas normas alteraram o modelo de provisões para cobrir calotes, afetando o reconhecimento das receitas e despesas na contabilidade. ## Impactos da inadimplência O índice de inadimplência subiu para 4,93% no terceiro trimestre, em comparação aos 4,21% do mesmo período no ano anterior. O aumento deve-se, em grande parte, ao segmento do agronegócio e à utilização de cartões de crédito, áreas nas quais o banco é um dos maiores credores. Com a queda do lucro, o BB revisou suas projeções financeiras para 2025, ajustando suas expectativas de lucro líquido e custo de crédito. As novas projeções indicam um lucro líquido ajustado entre 18 e 21 bilhões de reais, enquanto anteriormente a expectativa era de até 25 bilhões. Já o custo do crédito agora previsto está entre 59 e 62 bilhões de reais. ## Desempenho na concessão de crédito Com a elevação da taxa de juros, o BB experimentou uma queda no volume de empréstimos, sobretudo para empresas. A carteira totalizou 1,279 trilhão de reais em setembro, um decréscimo de 1,2% no trimestre, mas ainda com um aumento de 7,5% em relação ao ano anterior. A categoria de crédito sustentável, que financia iniciativas de impacto social e ambiental positivo, aumentou em 8% no período de 12 meses. As receitas de serviços totalizaram 8,863 bilhões de reais, com algumas áreas, como a administração de fundos e seguros, mostrando crescimento significativo. No entanto, as despesas administrativas também subiram, totalizando 9,812 bilhões de reais, foco nos investimentos em tecnologia e segurança cibernética. ## Política de dividendos ajustada Em julho, o BB decidiu reduzir para 30% a parcela de lucro destinada aos acionistas, refletindo ajustes financeiros abrangentes. A previsão de dividendos para 2025 também foi ajustada, passando de 43,4 bilhões de reais para 41,9 bilhões.