Fernando de Noronha Alcançará Descarbonização Total da Energia até 2027

Projeto "Noronha Verde" da Neoenergia e MME, com investimento de R$ 350 milhões, transformará o arquipélago na primeira ilha oceânica habitada da América Latina a operar 100% com energia solar.

08/11/2025 às 20:36
Por: Redação
Fernando de Noronha Alcançará Descarbonização Total da Energia até 2027 com Nova Usina Solar Projeto "Noronha Verde" da Neoenergia e MME prevê investimento de 350 milhões de reais para abastecer a ilha exclusivamente com fonte limpa. A iniciativa "Noronha Verde", que visa à completa descarbonização da produção de energia elétrica em Fernando de Noronha até o ano de 2027, foi oficialmente apresentada no sábado, dia 8. O Ministério de Minas e Energia (MME), em conjunto com o grupo Neoenergia e o governo de Pernambuco, lançou o projeto ambicioso que garantirá o fornecimento total de eletricidade ao arquipélago exclusivamente por meio de fontes solares. O investimento total para o empreendimento soma 350 milhões de reais, aportados pela Neoenergia. O projeto contempla a instalação de mais de 30 mil painéis solares fotovoltaicos, que serão complementados por sistemas de armazenamento de energia em baterias. A infraestrutura ocupará uma área de 24,63 hectares, correspondendo a 1,5% do território de Fernando de Noronha. Os terrenos para a implantação foram concedidos pela Aeronáutica e pela gestão estadual do arquipélago. A execução do plano ocorrerá em duas etapas, com a fase inicial programada para iniciar suas operações em maio de 2026 e a segunda, no primeiro semestre de 2027. Este feito posicionará Fernando de Noronha como a pioneira ilha oceânica habitada da América Latina a atingir um nível completo de descarbonização energética. O lançamento do projeto aconteceu pouco antes da COP30, conferência que o Brasil sediará neste ano. Perspectiva Governamental e Corporativa O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, enfatizou que o projeto "Noronha Verde" serve como um modelo para o Brasil na COP30, demonstrando o compromisso do país com a transição energética. Silveira ressaltou o progresso na "nova economia, que é a economia verde", afirmando que essa transformação, inicialmente baseada na sustentabilidade, agora também "gera emprego e renda". Ele concluiu, de forma categórica: "Não há solução fora dessa nova economia. Fernando de Noronha dá exemplo para o mundo. O Brasil dá exemplo dentro da COP, da sua mudança da matriz energética." Ignacio Galán, presidente da Iberdrola, empresa controladora da Neoenergia, descreveu o projeto como uma demonstração de como a colaboração e uma visão conjunta podem remodelar realidades e criar um legado duradouro. Galán destacou que o sucesso do empreendimento é intrinsecamente ligado a uma "política energética clara, a visão promovida pelo presidente Lula e pelo ministro Silveira e a estabilidade regulatória do país", elementos que, segundo ele, "tornaram o Brasil uma referência mundial no setor elétrico." A empresa Neoenergia detalhou que a futura usina solar fotovoltaica, que estará integrada a um robusto sistema de baterias (BESS) de 49 MWh, possuirá uma capacidade de geração de 22 MWp. Isso equivale ao consumo de energia de nove mil residências em áreas continentais. O CEO da Neoenergia, Eduardo Capelastegui, sublinhou que os benefícios do projeto transcendem a mera provisão de "energia limpa e sustentável". Capelastegui afirmou que o projeto "contribuirá para o sistema elétrico brasileiro ao reduzir em até 10% o custo da geração da ilha. Portanto, energia mais limpa, sustentável e mais barata." Capelastegui esclareceu o funcionamento do sistema: durante o período diurno, a usina solar produzirá energia tanto para o consumo imediato do arquipélago quanto para recarregar as baterias. À noite, a energia acumulada nas baterias garantirá o abastecimento noturno da ilha, assegurando "segurança no fornecimento e emissões zero." O Olhar da Comunidade e o Legado Em representação da comunidade local, a professora Edileuza Maria dos Santos, residente em Fernando de Noronha, esteve presente no evento. Ela expressou o desejo da população de "ver nossa ilha crescer sem perder a essência da natureza que tanto amamos", e manifestou o orgulho em "saber que teremos energia limpa e um futuro feliz para nossos filhos, nossos netos e nossa comunidade" com a chegada da usina solar. A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, ao dirigir-se à professora Edileuza, ressaltou a importância de o projeto "fazer sentido para vocês", os moradores, pois, sem um impacto real na vida de quem reside na ilha, "não faria sentido algum". Lyra ainda declarou que "um lugar só é bom para visitar quando ele é bom para viver". A governadora destacou que Fernando de Noronha enfrentou um longo período sem investimentos. Ela caracterizou o lançamento do projeto como a "pedra fundamental" de uma nova era, afirmando que "tirar o diesel daqui significa um novo começo para Fernando de Noronha", abrindo "uma nova janela de oportunidade, de investimentos em turismo e desenvolvimento sustentável" ao eliminar combustíveis fósseis da ilha. A Matriz Energética Anterior e a Mudança Atualmente, a maior parte da energia consumida em Fernando de Noronha, cerca de 95%, é produzida pela Usina Tubarão, que opera com diesel, um combustível fóssil. Os 5% restantes provêm de três pequenas usinas solares já existentes na ilha. Após a conclusão da transição energética, a Usina Tubarão será mantida apenas como uma fonte de energia de reserva, para situações de emergência. A logística de abastecimento de diesel envolve a chegada de, em média, 200 mil litros por meio de navios provenientes de Pernambuco e Rio Grande do Norte. Diariamente, a usina consome aproximadamente 30 mil litros de combustível para suprir a demanda energética local. A Neoenergia informou que, somente no ano de 2024, a operação da Usina Tubarão foi responsável pela emissão de 21 toneladas de dióxido de carbono (CO²). A Neoenergia confirmou que o licenciamento do projeto da usina solar foi aprovado pela Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH), contando também com a autorização do ICMBio, órgão responsável pela gestão das Unidades de Conservação Federais. O CEO Eduardo Capelastegui reiterou que a iniciativa representará um "legado para o país em um momento em que recebemos o mais importante evento com foco na agenda climática global, a COP."

© Copyright 2025 - Três Lagoas News - Todos os direitos reservados