Financiamento Climático Dobrou no Brasil em Quatro Anos

Apesar do avanço, investimentos em florestas permanecem críticos para o futuro

07/11/2025 às 18:13
Por: Redação
O Brasil teve um crescimento significativo no financiamento climático, ultrapassando 67,8 bilhões de dólares em 2023, conforme um estudo do Climate Policy Initiative (CPI), vinculado à Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. A quantia representa mais que o dobro do valor registrado desde 2019. Segundo Joana Chiavari, diretora de pesquisa do CPI/PUC-Rio, o financiamento climático no Brasil é vital para alcançar metas de desenvolvimento e adaptação às mudanças climáticas, além de mitigar vulnerabilidades socioeconômicas. Os setores de energia e agropecuária lideraram a alta dos investimentos. No campo energético, a energia solar ajudou a mais que dobrar os investimentos, de 9,5 bilhões de dólares, em 2020 e 2021, para 22,4 bilhões de dólares entre 2022 e 2023. Já no setor de Agropecuária, Florestas e Outros Usos da Terra (AFOLU), o montante quase dobrou, chegando a 28 bilhões de dólares, impulsionado por práticas sustentáveis. Apesar da relevância ambiental, as florestas receberam apenas 1% do total investido. Os aportes caíram de 1,5 bilhão de dólares em 2019 para 254 milhões de dólares em 2023. Juliano Assunção, diretor executivo do CPI/PUC-Rio, ressaltou que as florestas precisam ser valorizadas como ativos centrais para o avanço climático. Os recursos domésticos compuseram 90% do total entre 2019 e 2023, com destaque para o papel das fontes privadas, responsáveis por mais de dois terços dos investimentos em 2022 e 2023. O governo federal e o BNDES destacaram-se no financiamento público, com médias de 6,6 bilhões e 7,2 bilhões de dólares, respectivamente. A maior parte dos investimentos, 79%, foi destinada à mitigação de efeitos climáticos, enquanto 7% contemplaram a adaptação e 11% objetivos duplos. Perdas e danos, embora ainda representem uma fração menor, subiram significativamente após eventos climáticos severos, passando de 0,2 bilhão de dólares em 2019 para 8,1 bilhões de dólares em 2024, após tragédias no Rio Grande do Sul. De acordo com o CPI, o levantamento é um ponto de partida para monitorar o alinhamento dos investimentos à agenda climática futura, em meio ao anúncio na COP29 da mobilização de 300 bilhões de dólares até 2035, frente à necessidade mundial de 1,3 trilhão de dólares para enfrentar a crise climática.

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