
O G20, composto pelas maiores economias globais, deverá adotar uma proposta que reforça o beneficiamento de minerais críticos em seus países de origem. A discussão deste tema é um ponto central para nações em desenvolvimento, como ressaltado por Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty.
Nesta quarta-feira, 19 de novembro, o Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, anunciou a realização da Cúpula de Líderes do G20 em Joanesburgo, na África do Sul, que acontecerá no próximo fim de semana. A presidência deste ano é do governo sul-africano e contará com a presença de líderes globais, incluindo o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.
Minerais críticos são fundamentais para tecnologia, defesa e transição energética, e o documento em discussão traz princípios para sua extração e beneficiamento. Segundo Gough, a negociação foca no beneficiamento local, alinhando-se aos interesses de países emergentes que desejam acrescentar valor à sua produção mineral.
“É a primeira vez que se consegue um texto sobre isso”, comentou o embaixador, ressaltando a importância do beneficiamento nos próprios países que detêm esses recursos.
Os minerais como lítio, cobalto e terras raras são cruciais para indústrias de veículos elétricos, painéis solares e turbinas eólicas, essenciais para uma economia mais sustentável.
O G20, desde 1999, evoluiu para um fórum que também envolve chefes de Estado. A cúpula deste ano será dividida em sessões, e o maior destaque deverá ser a declaração de líderes, ainda em negociação, que pode ser impactada pela ausência dos Estados Unidos. A proposta do presidente sul-africano, com apoio brasileiro, é de que a declaração inclua a taxação dos super-ricos, entre outras medidas.
A presidência sul-africana, segundo Gough, defende firmemente a declaração, como tem ocorrido em cúpulas anteriores.
Mesmo com a forte carga política, o G20 busca manter o foco em aspectos econômicos, evitando extensos debates políticos que possam interferir nos resultados financeiros do grupo.
O presidente Lula viajará a Joanesburgo e espera-se que mantenha reuniões bilaterais, incluindo uma com Cyril Ramaphosa, presidente sul-africano, além da participação nas sessões do G20. No domingo, está agendada uma reunião do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (Ibas), e, na sequência, Lula visitará Moçambique, fortalecendo laços históricos.
“Moçambique tem uma tradição profunda de cooperação com o Brasil”, destacou Carlos Sérgio Sobral Duarte, reforçando a importância das relações internacionais.
A visita coincide com os 50 anos das relações diplomáticas e prevê acordos em áreas como educação e segurança alimentar, além de um fórum empresarial com empresários dos dois países para ampliar comércio e investimentos. Durante o evento, Lula deverá receber um título de doutor honoris causa pela Universidade Pedagógica de Maputo.