Número de trabalhadores em home office cai para 7,9% em 2024

Pesquisa do IBGE mostra redução no teletrabalho pós-pandemia, com destaque para dados sobre gênero e setor

19/11/2025 às 15:55
Por: Redação

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que, em 2024, o percentual de trabalhadores em home office registrou uma queda, chegando a 7,9% do total de pessoas ocupadas. De acordo com a pesquisa, isso representa cerca de 6,6 milhões de trabalhadores, uma diminuição em relação aos 6,7 milhões de 2022.

 

O estudo, que integra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), revelou uma tendência de redução iniciada em 2023, quando o percentual de trabalhadores em home office foi de 8,2%. Essa análise excluiu funcionários do setor público e empregados domésticos, contabilizando um universo de 82,9 milhões de trabalhadores no ano passado.

 

Efeitos pós-pandemia

William Kratochwill, analista do IBGE, explicou que a categoria de trabalho no domicílio inclui também aqueles que utilizam espaços de coworking. “As pessoas falam que trabalham de casa, mas podem optar por trabalhar em um coworking”, afirmou Kratochwill.


“O trabalho em casa ainda está em um nível superior ao que havia antes da pandemia e das novas tecnologias”, ressaltou Kratochwill.


Em termos de gênero, as mulheres representam 61,6% dos que trabalham em home office. Especificamente, 13% das mulheres ocupadas estavam trabalhando dessa forma, comparado a 4,9% entre os homens. Antes da pandemia, em 2019, apenas 5,8% dos trabalhadores estavam em home office, percentual que subiu para 8,4% em 2022.

 

Reações empresariais e desafios

A redução do home office gerou descontentamento em algumas empresas. O Nubank, por exemplo, anunciou mudanças para diminuir o trabalho remoto, o que resultou em demissões recentes. O Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo destacou que 12 funcionários foram desligados após discussões sobre o tema.


“A regressão ao trabalho presencial gerou insatisfação em empresas, refletindo-se em ações como paralisações de trabalhadores”, informou o sindicato.


O levantamento ainda indicou que o local de trabalho predominante continua sendo o próprio estabelecimento, com 59,4% dos empregados. Apenas 0,9% afirmaram trabalhar no domicílio do empregador ou patrão. O trabalho em veículos, abrangendo serviços e atividades de aplicativos, subiu de 3,7% em 2012 para 4,9% em 2024, uma mudança impulsionada por serviços como Uber.

 

Essa parcela de trabalhadores no volante inclui apenas 5,4% de mulheres, enquanto 7,5% dos homens realizam atividades nos veículos. Essas transformações refletem não apenas tendências de mercado, mas também o impacto duradouro das mudanças tecnológicas no mundo do trabalho.

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