Pix Completa Cinco Anos e Se Aproxima de R$ 30 Trilhões Anuais em Movimentações

Sistema de pagamento instantâneo consolidou-se como principal método no Brasil, impulsionando inclusão financeira e enfrentando desafios geopolíticos.

16/11/2025 às 17:44
Por: Redação

O Pix, principal método de pagamento do Brasil, completa neste domingo, 16 de novembro, cinco anos de existência, consolidando-se como um dos pilares da economia digital. Lançado pelo Banco Central em novembro de 2020, o sistema de pagamentos instantâneos demonstrou um crescimento exponencial, movimentando a impressionante cifra de 26,4 trilhões de reais no ano passado, um valor que equivale a quase o dobro do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2024, destacando sua relevância financeira.

A ascensão do Pix continua inabalável, com projeções indicando que o volume financeiro transacionado atingirá patamares ainda mais elevados. Segundo dados recentes do Banco Central, até outubro deste ano, o sistema já havia registrado a movimentação de cerca de 28 trilhões de reais, sinalizando que a ferramenta está muito perto de ultrapassar a marca dos 30 trilhões de reais anuais, um feito que ressalta sua capilaridade e aceitação em todo o território nacional.

 

Inclusão Financeira e Impulso à Concorrência

Para Renato Gomes, diretor de organização do sistema financeiro e resolução do Banco Central, a plataforma desempenhou um papel crucial na inclusão de um número maior de cidadãos no sistema bancário formal. Ele destacou, em uma transmissão online, que a implementação do Pix resultou em uma significativa redução dos custos de distribuição de dinheiro, ao mesmo tempo em que ampliou a base de clientes e o consumo, gerando um ambiente de maior concorrência entre os meios de pagamento.


"Por um lado, houve essa redução de custo de distribuição de dinheiro. Por outro lado, ocorreu esse aumento da fatia de clientes e do consumo, e, obviamente, como o Pix trouxe muita concorrência com o sistema de pagamentos, acabou havendo uma redução de tarifas", afirmou o diretor.


Inicialmente concebido para simplificar as transferências instantâneas entre pessoas físicas, o Pix evoluiu rapidamente com a introdução de novas funcionalidades. Dentre elas, destacam-se o Pix Cobrança, que substitui o papel do boleto tradicional, e o Pix Automático, equivalente ao débito automático. Essa versatilidade contribuiu para que a ferramenta seja utilizada por 170 milhões de adultos e mais de 20 milhões de empresas em todo o país, reforçando sua onipresença na vida dos brasileiros.

 

Desenvolvimento Tecnológico e Cronologia Nacional

A jornada para a criação do Pix teve início oficialmente em 2016, quando as primeiras discussões sobre um meio de pagamento nacional começaram a tomar forma. Em 2018, o Banco Central estabeleceu os requisitos fundamentais para a ferramenta, e em agosto de 2019, assumiu a administração da base de dados e do sistema de pagamentos instantâneos. O nome “Pix” foi oficialmente adotado em fevereiro de 2020, marcando uma nova fase no projeto.

O lançamento em caráter de teste ocorreu em 3 de novembro de 2020, restrito a uma parcela de 1% a 5% dos clientes bancários e operando em horários específicos. Duas semanas depois, em 16 de novembro de 2020, o Pix foi oficialmente disponibilizado para todos os clientes que criaram suas chaves, operando 24 horas por dia e consolidando sua presença no cotidiano financeiro do Brasil.

 

Pix no Cenário Geopolítico: Alvo de Investigação dos EUA

Em um contexto de pressões geopolíticas, o Pix, desenvolvido por servidores públicos brasileiros, tornou-se objeto de uma investigação comercial por parte do governo dos Estados Unidos. A medida foi tomada pela administração Trump como parte de uma estratégia de pressão relacionada ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, evidenciando a intersecção entre tecnologia financeira e diplomacia internacional.


O Brasil, em resposta oficial ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), esclareceu que o Pix foi projetado para garantir a segurança do sistema financeiro nacional, assegurando que o sistema não discrimina empresas estrangeiras e opera com base em princípios de neutralidade e inovação.


A investigação americana levantou a preocupação de que o Pix pudesse prejudicar empresas financeiras dos Estados Unidos, o que motivou a defesa do Brasil perante o USTR. A resposta brasileira reiterou o caráter inovador e seguro do sistema, reforçando que sua concepção visa beneficiar o mercado financeiro como um todo, sem favorecer ou desfavorecer agentes específicos, e que sua regulamentação está alinhada às melhores práticas internacionais.

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