Plano Diretor da Rota Bioceânica Impulsiona Desenvolvimento Regional com 264 Propostas de Entidades GlobaisIniciativa crucial para a integração de Brasil, Paraguai, Argentina e Chile consolida Mato Grosso do Sul como hub logístico, com ponte bioceânica quase pronta e planos para uma "Rota 67" turística.O Plano Diretor do Corredor Bioceânico (CBC), um conjunto estratégico de diretrizes e projetos para aprimorar a infraestrutura, logística, alfândega e diversos outros aspectos da rota de integração rodoviária entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, registra um progresso notável. A fase de diagnóstico, fundamental para guiar as ações de governança, culminou na captação de 264 propostas inovadoras. Essas sugestões foram formuladas por diversas entidades, tanto do setor público quanto do privado, e serão a base para as iniciativas a serem implementadas pelos oito governos subnacionais que compõem a Rota.Os dados foram detalhados na semana anterior pelo secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, durante sua apresentação na 1ª Jornada de Estudos Estratégicos. Realizado no auditório do Comando Militar do Oeste (CMO), em Campo Grande, o evento teve como foco "O Corredor Bioceânico de Capricórnio e os impactos para o Centro-Oeste", reunindo autoridades civis e militares, pesquisadores e representantes do setor produtivo para debater as profundas transformações econômicas e geopolíticas esperadas na região.Em sua fala, Verruck enfatizou que o Corredor Bioceânico representa uma alteração estrutural para Mato Grosso do Sul, posicionando o estado no epicentro dessa rota com a chance de se firmar como um polo logístico e comercial no Cone Sul. Ele reiterou que se trata de um projeto de desenvolvimento e integração continental, visando o fortalecimento de políticas públicas ligadas à sustentabilidade e à diversificação econômica.O secretário também salientou que o governo estadual tem concentrado esforços para harmonizar a infraestrutura, a inovação e a governança territorial com a nova dinâmica imposta pelo Corredor. Entre os desafios apontados por Verruck, estão a garantia de uma conectividade eficiente entre o Centro-Oeste brasileiro, o Chaco paraguaio, o noroeste argentino e o norte chileno, além da expansão do comércio e da atividade econômica tanto a nível regional quanto extrarregional.Avanços na Infraestrutura e LogísticaA construção da Ponte Internacional da Rota Bioceânica já ultrapassou a marca de 80% de conclusão, com previsão de entrega até o fim de 2026. Além das obras físicas, os processos e as questões ligadas ao avanço da maior rota de integração logística da América Latina também progridem. O secretário explicou que a finalidade do Plano de Ação é elevar todas as seções do Corredor ao mesmo patamar operacional.Entre os empreendimentos em curso, destacam-se os de infraestrutura rodoviária, projetados para assegurar um trajeto contínuo e desimpedido ao longo do Corredor Bioceânico. Paralelamente, estão em desenvolvimento iniciativas para aprimorar as passagens de fronteira e para a instalação de Centros de Coordenação de Fronteiras, considerados essenciais para a próxima fase de implementação. Projetos em áreas como telecomunicações, digitalização e redes de energia também estão sendo estruturados, contribuindo para maior eficiência e diminuição dos custos operacionais.A médio e longo prazo, o Corredor demandará a criação de núcleos estratégicos internos, capazes de suprir o crescimento da demanda. Verruck acrescentou que o desenvolvimento econômico local fortalecerá essa necessidade, sendo crucial analisar as oportunidades que prefeitos e governos podem gerar para impulsionar a economia regional, especialmente nos setores do agronegócio e da logística.Turismo e Integração: A "Rota 67"O secretário ainda realçou que o turismo figura entre os segmentos que mais se beneficiarão com a inauguração da rota. Inspirado na célebre Rota 66 dos Estados Unidos, Verruck propôs a concepção da ‘Rota 67’, que permitirá aos visitantes atravessar o continente de automóvel, unindo o Pantanal, reconhecido como a maior área úmida do mundo, ao Deserto do Atacama, a maior área seca em altitude do planeta."Essa rota oferecerá uma vivência incomparável, conectando biodiversidade, cultura e integração", declarou Verruck, acrescentando que, em breve, será viável realizar essa viagem sem os complexos procedimentos alfandegários, possibilitando que os viajantes desfrutem da jornada em seus próprios veículos.Segurança Coletiva: Um Pilar EssencialOutro aspecto crucial destacado pelo secretário foi a edificação coletiva da segurança no contexto do Corredor. "Esta é uma das lógicas centrais. Se o Corredor não possuir elementos que garantam a construção coletiva e o desenvolvimento dessas regiões, a iniciativa corre o risco de se isolar", alertou Verruck, frisando a importância de todos os agentes, incluindo os de segurança, participarem das deliberações e reconhecerem os proveitos diretos da integração.Além da participação de Jaime Verruck, o evento contou com a presença do professor Sandro Teixeira Moita, do Instituto Meira Mattos (ECEME), que proferiu uma palestra sobre "Cultura Estratégica – Chave para entender a incerteza global". O pesquisador Lúcio Flávio Suakozawa, da Rede Universitária da Rota de Integração Latino-Americana (Unirila), também contribuiu, abordando a geopolítica da Rota Bioceânica.A 1ª Jornada de Estudos Estratégicos, uma iniciativa do Comando Militar do Oeste (CMO), teve como propósito fortalecer o pensamento estratégico e fomentar o diálogo entre os meios acadêmico, militar e governamental acerca de temas ligados à defesa, integração e desenvolvimento regional. Ao término do evento, o secretário Jaime Verruck foi homenageado com um diploma e medalhas do Exército.