Apoio no Luto Parental é Crucial para Saúde Mental

Politica de humanização busca mitigar agravamento de depressão em famílias, mas enfrenta falta de recursos.

31/10/2025 às 20:04
Por: Redação
**Acolhimento no luto parental é essencial para saúde mental** *Falta de suporte pode agravar casos de depressão e ansiedade em famílias enlutadas, aumentando pressões no sistema de saúde.* Famílias que vivenciam o luto pela perda de um bebê durante a gestação, parto ou logo após o nascimento enfrentam desafios emocionais significativos. Denise Suguitani, diretora da ONG Prematuridade, aponta que a falta de acolhimento adequado pode gerar uma demanda maior por cuidados de saúde mental, impactando o sistema já sobrecarregado. A instituição apoia mães, pais e avós há mais de uma década, destacando que o foco em bebês prematuros é crucial devido às altas taxas de mortalidade neonatal. Suguitani ressalta que, sem o cuidado inicial necessário, as famílias acumulam necessidades que resultam em procura por internamentos que poderiam ser evitados. A nova Política Nacional de Humanização do Luto Materno e Parental, em vigor desde agosto, recomenda o apoio psicológico domiciliar ou na unidade de saúde mais próxima. Contudo, a falta de profissionais ainda é um desafio. Janynnie Matos de Freitas, voluntária da organização Amada Helena em Roraima, relatou experiências de apoio a mães enlutadas, ressaltando a necessidade de um atendimento psicológico mais acessível. Segundo Freitas, as redes de saúde da família trabalham essa questão em conjunto com a assistência social, mas os recursos continuam insuficientes. Profissionais de saúde afirmam que o atendimento humanizado desde a perda pode amenizar o sofrimento psicológico a longo prazo. A lei que estabelece essa política também propõe investigar as causas do óbito, permitir despedidas adequadas, registros e enterros dignos. A psicóloga Marisa Sanchez destaca que a criação de memórias afetivas, respeitando os limites individuais, beneficia essas famílias. Outubro foi escolhido como o mês de referência para chamar a atenção sobre a importância do acolhimento. Entre as diretrizes da lei, estão a separação de alas em maternidades para as mães enlutadas, o direito de ter um acompanhante durante o parto, independentemente do status do bebê, e respeitar as crenças familiares para sepultamento ou cremação. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, prometeu adaptar hospitais públicos para essas mudanças, mas recentemente, o ministério descreveu a implementação como um "processo gradual e articulado" com estados e municípios, sem confirmar novos investimentos.

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