Denúncias de Abusos em Operação Policial no RJ

Relatório revela relatos de execuções e assédios em ação nos complexos do Alemão e Penha.

03/11/2025 às 22:38
Por: Redação
Relatos inquietantes colhidos pela Ouvidoria Geral da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, após a operação policial realizada nos complexos do Alemão e Penha, denunciam graves violações de direitos humanos. A Operação Contenção, ocorrida na última terça-feira, envolveu a morte de civis e prisões que familiares afirmam serem injustas, junto a alegações de assédio por policiais. Um dos depoimentos destaca o relato de uma mulher de 23 anos que, ao abrir a porta de sua casa, foi assediada por um policial: "Entraram em minha casa, perguntaram se eu morava só e, ao sair, o homem de toca apertou meu peito". Outra mulher, uma manicure, contou ter acordado com policiais em seu quarto, que levantaram seu lençol com um fuzil. Declarou sua inocência mostrando suas ferramentas de trabalho, mas ainda assim foi interrogada. O documento divulgado no domingo (2) documenta que, segundo a Secretaria de Segurança Pública, 121 pessoas morreram na ação, entre elas quatro policiais. A operação cumpriu 20 de 100 mandados de prisão e gerou a apreensão de 93 pessoas em flagrante, com foco no combate ao Comando Vermelho. O impacto na comunidade foi devastador, com fechamento de escolas e serviços essenciais. "Crianças e adolescentes ficaram fora da escola, sem receber a alimentação diária, enquanto idosos e pacientes do SUS perderam acesso a consultas e medicações", afirma o relatório. Depoimentos também falaram sobre abusos como roubo de documentos e tortura, uso de casas para emboscadas, e bombas direcionadas a residências. Corpos foram retirados com marcas de execução, como tiros na cabeça e facadas, do local conhecido como Vacaria. Moradores acusam ainda a polícia de criminalizar comunidades inteiras. "Acha que todo mundo na favela é traficante. Aqui tem professores, advogados, muita gente que seguiu a vida corretamente", afirmou um residente. A Ouvidoria propôs medidas para prevenir tais tragédias, incluindo o uso efetivo de câmeras corporais e viaturas, independência nas perícias de Estado e apoio psicossocial às famílias afetadas. A Secretaria de Polícia Militar afirmou sua colaboração com os procedimentos investigativos. Até o momento, outros órgãos de segurança não se manifestaram.

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