
O presidente da EBC, Andre Basbaum, destacou o significado da data e sugeriu a criação de um Fórum Nacional de Comunicação Pública, retomando os debates do Fórum Nacional de TVs Públicas, iniciado em 2006, que resultou no surgimento da empresa.
“Com o terceiro governo do presidente Lula, a empresa começou a ser reconstruída e o sentido da comunicação pública começou a renascer e a ter a vitalidade que a gente quer que tenha nos próximos anos. Quero lançar a ideia de realizarmos um Fórum Nacional de Comunicação Pública no ano que vem. Vamos discutir a comunicação pública, o papel dela, a importância dela na formação da nação, na defesa da soberania e da democracia”, defendeu.
O secretário-executivo da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom/PR), Tiago Cesar dos Santos, observou que o momento é de reconstrução e progresso.
“É um momento de celebrar, de projetar, de pôr o dedo na ferida e tentar encontrar caminhos. Da nossa parte, entendam a gente como aliados. Contem com a Secom, contem com o ministro Sidônio Palmeira. E que a comunicação pública seja esse pilar de sustentação do nosso regime democrático”, disse.
O evento contou com as presenças do presidente da EBC, Andre Basbaum; a primeira presidenta da empresa, Tereza Cruvinel; os ex-presidentes Ricardo Melo, Kariane Costa e Hélio Doyle; a ex-ministra da Secom/PR e ex-diretora de Jornalismo da EBC, Helena Chagas; o ex-presidente da Radiobrás e professor da Universidade de São Paulo (USP), Eugênio Bucci; e o presidente do Comitê Editorial e de Programação (Comep/EBC), Pedro Rafael Vilela.
Estiveram presentes também a diretora da Faculdade de Comunicação da UnB, Dione Oliveira Moura; e o professor Fernando Oliveira Paulino, coordenador do Laboratório de Políticas de Comunicação (LaPCom) e presidente da Associação Latino-Americana de Investigadores da Comunicação (ALAIC).
A primeira presidenta da EBC, Tereza Cruvinel, revisitou a fundação da empresa e sublinhou sua significância para a democracia.
“A democracia ainda se ressente das ameaças que sofreu. E, mais do que nunca, o sistema público é necessário para vacinar os cidadãos brasileiros, vaciná-los contra a manipulação, a desinformação, esse sequestro da lucidez. A tarefa é grande. Há muito o que fazer, mas sinto uma nova energia no ar”, esperançou.
O ex-presidente da Radiobrás, Eugênio Bucci, destacou a urgência de se fomentar uma cultura de independência institucional e a importância de se aprender com experiências internacionais para soluções locais.
A ex-ministra Helena Chagas frisou a diferença crítica entre comunicação pública, governamental e privada, um ponto ainda frequentemente mal compreendido.
“A comunicação pública e o jornalismo público, especialmente, são feitos para o cidadão, para que a sociedade tenha oportunidade de reflexão sobre si mesma e possa tomar suas decisões”, lembrou.
Na segunda parte do debate, Hélio Doyle, ex-presidente da EBC , enalteceu a trajetória da empresa, apesar dos obstáculos encontrados. Simultaneamente, Ricardo Melo reafirmou a insubstituível função da EBC no país e defendeu a busca por autonomia financeira: “A questão financeira é vital, ter uma arrecadação própria”, assegurou.
Durante a discussão, Pedro Rafael Vilela, presidente do Comep/EBC e também funcionário da empresa, evidenciou o papel central da sociedade na definição do futuro da comunicação pública. Kariane Costa, ex-presidenta e também funcionária concursada, expressou otimismo com o progresso atual: “Ainda não é o ideal, mas eu sou otimista. Acho que estamos no caminho, visto o trabalho reconhecido de muitos dos nossos colegas”, concluiu.