Encontro de Comunidades Tradicionais na COP30

Vozes de terreiros e quilombolas se unem por justiça climática no Brasil

03/11/2025 às 20:45
Por: Redação
**Vozes de terreiros e quilombolas se unem em paralelo à COP30** *Povos tradicionais promovem debates sobre clima e direitos territoriais em Salvador e no Rio de Janeiro.* Durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), encontros significativos ocorrem em paralelo em Salvador e no Rio de Janeiro. No dia 15 de novembro, povos de terreiros e quilombolas se reúnem para discutir não apenas questões climáticas, mas também a luta contra o racismo ambiental e os direitos de seus territórios. A Cúpula dos Povos de Terreiro toma lugar no Parque da Pedra de Xangô, em Salvador, das 9h às 13h, enquanto o Rio de Janeiro sedia a I Cúpula das Vozes Quilombolas pelo Clima na Fundição Progresso, das 9h às 17h, em parceria com a Associação Estadual das Comunidades Quilombolas do Rio de Janeiro (Acquilerj). A organização das cúpulas é realizada pela KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço. Ana Gualberto, diretora executiva da KOINONIA, enfatiza a importância de incluir as comunidades negras tradicionais nas discussões climáticas. Segundo ela, essas comunidades não têm sido devidamente ouvidas como agentes importantes para a preservação ambiental e a inovação de soluções para mitigar catástrofes climáticas. A cúpula em Salvador, realizada no primeiro parque da cidade destinado ao povo de matriz africana, simboliza resistência e consolidação de conquistas. Enquanto isso, no Rio, o evento destaca-se por ressaltar a relevância dos quilombolas na preservação ambiental. Bia Nunes, presidente da Acquilerj, destaca a importância de tornar visíveis as práticas de conservação e resistência das comunidades quilombolas, as quais têm sido fundamentais desde sua formação como refúgios de resistência para povos fugindo da escravidão. Atualmente, a regulamentação territorial dos terreiros enfrenta grandes desafios, com menos de 20% dos mais de 5 mil terreiros em Salvador possuindo garantias formais de território. Ana Gualberto ressalta a importância de identificar e mapear esses territórios para a implementação de políticas públicas efetivas. A cúpula no Rio visa chamar a atenção para a urgente necessidade de estratégias que protejam os direitos à terra dos quilombolas. Apenas três das 54 comunidades no estado têm a posse legal de suas terras. A regularização enfrenta entraves, como destaca Bia Nunes, que menciona chantagens emocionais durante os processos de titulação. Para ampliar essa discussão, será lançado o Fórum Itinerante Cuidar da Terra é Cuidar da Gente: A Luta Quilombola pela Mata Atlântica. Essa iniciativa busca fortalecer o debate climático e os direitos dos quilombolas em diferentes regiões. Inscrições para a cúpula no Rio estão abertas e podem ser realizadas online.

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