**Tauã Brito transforma luto em luta por políticas públicas.** "Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará", dizia Tauã Brito a seu filho Wellington, de 20 anos, antes de sua morte em uma operação policial que vitimou 121 pessoas nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro. Tauã denunciou que encontrou o corpo do filho com as mãos amarradas, sugerindo que ele estava rendido antes de ser morto. Tauã, que o criou praticamente sozinha, afirmou que o filho foi uma criança amada e tranquila. Tentou tirá-lo do entorno do tráfico, mas seu apelo não foi atendido. Durante a operação, que mobilizou 2,5 mil policiais, ela implorava para que Wellington não saísse de casa. Ao não receber mais respostas suas, tentou chegar ao local onde ele estava, mas foi impedida pela polícia. Horas depois, apenas com a luz do celular, ela e o pai de Wellington acharam o corpo do jovem na mata. Ele estava com um corte de faca no braço e um tiro na cabeça. "Meu filho tinha direito a se entregar, a ser preso", lamenta Tauã, classificando a operação como um massacre e criticando as declarações de sucesso feitas pelo governo. Tauã destacou o descaso no tratamento dos corpos, que permaneceram horas sob o sol. Segundo ela, a dignidade desses mortos foi ignorada. Wellington foi sepultado em caixão fechado, devido ao estado de seu corpo. Apoiada pela memória do filho, Tauã continua lutando por oportunidades para jovens de favelas. Ela busca transformar a dor em uma causa coletiva: "A minha guerra acabou, mas minha luta será por outras mães também". Enquanto o governo do Rio considera a operação um sucesso e afirma que os mortos eram ameaças, entidades de direitos humanos exigem investigações independentes, definindo a ação como uma chacina.